Liturgicamente, o Tempo do Natal se estende até a Festa do Batismo do Senhor. Nesta celebração, a Igreja contempla Jesus adulto que, ao descer às águas do Jordão, manifesta-se como o Filho amado do Pai e inaugura publicamente a sua missão. A voz que vem do céu — “Este é o meu Filho amado, em quem pus todo o meu agrado” — revela quem é Jesus e confirma aquilo que celebramos desde a noite de Natal: Ele é o Emanuel, Deus-conosco, enviado para libertar, curar e salvar.
Do ponto de vista catequético, o encerramento do Tempo do Natal nos ajuda a compreender que a Encarnação não é um acontecimento isolado, mas o início de um caminho. O Menino da manjedoura é o mesmo Cristo que será anunciado, seguido, rejeitado, crucificado e ressuscitado. Ao ser batizado, Jesus se solidariza com a humanidade pecadora e aponta para o nosso próprio Batismo, pelo qual fomos feitos filhos e filhas de Deus, membros do seu Corpo e participantes de sua missão no mundo.
Concluir o Tempo do Natal é, portanto, assumir o compromisso de levar para a vida aquilo que foi celebrado na liturgia. A luz que brilhou em Belém agora deve resplandecer em nossas atitudes, comunidades e famílias. Somos chamados a viver como batizados, testemunhando com palavras e obras que Deus continua a nascer no coração de quem acolhe o Evangelho e se dispõe a caminhar na fé.
Assim, ao encerrar o Tempo do Natal e retomar o Tempo Comum, a Igreja não “se despede” de Cristo, mas se prepara para segui-lo mais de perto. A alegria do Natal transforma-se em missão, e o mistério celebrado torna-se vida vivida, até que, ao longo do ano litúrgico, possamos novamente percorrer, celebrar e aprofundar a história da salvação que Deus realiza em nosso meio.
Texto: Dhiogo Teixeira
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